Janeiro 06 2010

Vou passando, olhando e admirando todos os caminhos por onde passei e apenas ignorei.

Tentei esquecer que haviam outras passagens, talvez por não querer tomar mais uma decisão…

E então, respirei profundamente e segui em frente, sem nunca olhar para trás. Agora estava completamente sozinha. Sozinha sem preocupações, sem pensamentos, nem complicações…

Mas, na verdade, eu própria sabia que continuava a ter problemas, apenas fugi por pura cobardia, por não conseguir olhar e enfrentá-los. Por estar farta. Procurava, apenas, um lugar seguro. Um sítio ao qual pudesse chamar ‘lar’. Soubesse que era ali o meu lugar e que me sentiria abraçada e aconchegada. Onde nada me metia medo e contava sempre com um sorriso, quando as lágrimas quisessem sair.

Estava desiludida com o meu passado, mas sabia que era culpa minha, era eu que sabia o que tinha de fazer. E, um pouco, iludida fiz escolhas erradas…

Mas sabia que agora podia mudar o presente, apenas faltava-me a determinação, o entusiasmo para alterar o que tinha para alterar. Queria mexer-me, mas estava paralisada e sem forças.

Queria chorar, mas faltavam-me as lágrimas, e no fundo sabia que tinha de ser forte. Porque nos meus ouvidos pairava uma frase que todos repetiam: ‘Isto é uma fase! Não podes ficar assim, tens que ultrapassar!’. Mas como? Ninguém compreendia o que se estava a passar comigo, nem quase eu própria.

Era como se precisasse de alguém, mas não sabia quem. Como se quisesse estar sozinha, mas precisasse de um ombro para me apoiar. Queria poder olhar em frente, mas não via futuro. Via apenas um nevoeiro.

As minhas palavras estavam, agora, desgastadas e vazias, tal como eu. Sentia-me isolada, cansada e fraca. Esse era o meu problema, eu era fraca. Não tinha força para ouvir críticas e engolir a seco. E por isso é que cheguei a este ponto. de cair no chão de joelhos, sem força para me levantar e voltar a erguer. Mas não conseguia, a falta, a saudade, o desânimo e tudo, fez com que cada vez mais ficasse presa, num labirinto. Queria apenas fugir, mas acabei por não encontrar saída.

 

Beatriz Banha

24.09.2009

publicado por por preencher às 20:58

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